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Entrevista com o pai do software livre, Richard Stallman

Entrevista com Richard Stallman destaca falta absoluta de privacidade na era digital.

Ricardo Córdoba BaptistaRicardo Córdoba Baptista

Recentemente, no dia 25 de fevereiro, foi publicada entrevista no El País com Richard Stallman, criador do primeiro sistema operacional de código aberto, o GNU. 1

Apesar de não estar alinhado com grande parte das suas ideias, ele merece meu respeito por causa daquilo que faz, fez e representa para o movimento software livre.

De todo modo, comungo com algumas das suas preocupações concernentes à privacidade. É verdade que não de forma tão radical. Para ele, a privacidade é um valor tão importante a ponto de não usar smartphones, redes sociais e serviços como Uber, Netflix e Spotify. A vigilância que nos é imposta hoje seria pior do que da União Soviética. Precisaríamos de leis que impedissem os sistemas coletarem dados pessoais, se suas funções básicas pudessem ser executadas sem esses dados.

Abaixo, alguns trechos da sua entrevista:

Sobre a China

“A China é o exemplo mais visível de controle tecnológico, mas não o único. No Reino Unido, há mais de dez anos acompanham os movimentos dos carros com câmeras que reconhecem as placas. Isso é horrível, tirânico!”.

Sobre os celulares

“Os celulares são o sonho de Stalin, porque emitem a cada dois ou três minutos um sinal de localização para seguir os movimentos do telefone”.

Sobre o Regulamento Geral de Proteção de Dados

É um passo no caminho certo, mas não é suficiente. Parece muito fácil justificar o acúmulo de dados. Os limites deveriam ser bem rígidos. Se é possível transportar passageiros sem identificá-los, como fazem os táxis, então deveria ser ilegal identificá-los, como faz o Uber. Outra falha do RGPD é que não se aplica aos sistemas de segurança. O que precisamos é nos proteger das práticas tirânicas do Estado, que coloca muitos sistemas de monitoramento das pessoas”.

Sobre o Facebook

“Sempre disse que o Facebook e seus dois tentáculos, o Instagram e o WhatsApp, são um monstro de seguir as pessoas. O Facebook não tem usuário, tem usados. É preciso fugir deles”.

Informações sobre como vivemos nossa vida

“Existem dados que devem ser compartilhados: por exemplo, onde você mora e quem paga a luz de um apartamento para resolver os pagamentos. Mas ninguém precisa saber o que você faz no seu dia a dia. Muito menos os produtos que você compra, desde que sejam legais. Os dados realmente perigosos são quem vai aonde, quem se comunica com quem e o que cada um faz durante o dia. Se fornecemos, eles terão tudo”.

Leia na íntegra

Referências

  1. Richard Stallman: Os celulares espiam e transmitem nossas conversas, mesmo desligados: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/02/23/tecnologia/1550953521_057163.html

Advogado com pós-graduações em Direito Digital, Compliance e Segurança da Informação. Graduação em Filosofia. Certificado EXIN Data Protection Officer (PDPP). Membro da Internet Society. Faz parte do escritório Silva, Santana & Teston Advogados.

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